INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA PROMOVE GANHOS CRESCENTES NO EXTREMO NORTE DO TOCANTINS

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INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA PROMOVE GANHOS CRESCENTES NO EXTREMO NORTE DO TOCANTINS

article 123iferentes componentes na mesma área. Uma dessas propriedades é a Fazenda Araguaiana, que fica no município de Araguatins e tem como um dos proprietários Luciano Vilela.

Pecuarista de tradição, apesar da formação em Agronomia, ele é objetivo quando fala do plantio direto e de sua importância: “o plantio direto não é só porque eu gosto – apesar de que eu gosto e de que eu acho viável e que eu acho ecológico; não é só por causa disso. É porque, sem ele, aqui não funciona. Então, é um modelo, não fui eu que inventei. Mas é um modelo que, se eu não usar, não falo no resto. Eu não vou falar em agricultura, em adubação, se não for com plantio direto”.

Uma das tecnologias diretamente relacionadas à integração nas suas diferentes possibilidades (lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuária-floresta ou lavoura-pecuária-floresta), o plantio direto é fundamental para que se intensifiquem os ganhos produtivos e ambientais. Aliado ao plantio direto, na Araguaiana houve recuperação de pastagens. A fazenda é uma Unidade de Referência Tecnológica (URT), que é o nome dado pela Embrapa dentro de projetos de transferência de tecnologia para propriedades que servem como modelo para outras da região.

Em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Embrapa coordena essa URT. Joaquim Jr, consultor terceirizado do Sebrae, é quem faz o acompanhamento mais de perto. Segundo ele, na primeira vez em que foi feita lavoura dentro do projeto, a produtividade média, em 15 hectares de milho, foi de 105 sacas de 60 kg. A rentabilidade permitiu uma receita líquida de cerca de R$ 8.000,00, além da compra de uma plantadeira usada.

Depois desse primeiro sucesso, a área com milho passou para 33,5 hectares em áreas novas. E houve ainda o plantio de arroz em 44,6 hectares, sendo 15 da safra anterior onde foi plantado milho e os 29,6 restantes em áreas novas. O arroz que foi plantado onde já havia tido milho foi bem, mas nas outras áreas a produtividade foi baixa e houve inclusive prejuízo. No entanto, o milho, que apresentou boa produtividade (108 sacas por hectare) e preço alto (média de R$ 49,50 a saca), compensou a perda no arroz.

“O Luciano conseguiu, em 33 hectares, uma produtividade que sanasse a perda financeira do arroz e a lucratividade que ele conseguiu nesses 33 hectares o lucro líquido girou em torno de quase R$ 100.000,00, que foi suficiente pra ele comprar uma plantadeira nova que custou R$ 74.000,00 e utilizar o dinheiro pras outras coisas”, explica Joaquim. Na atual safra, foram plantados entre 78 e 80 hectares. Há cultivares de milho de quatro empresas diferentes, ante duas na safra anterior. Já para o próximo ano, há perspectiva de plantio de uma nova variedade de arroz da Embrapa na propriedade.

Para Joaquim, “o que a integração aqui veio pra fazer? Veio pra simplesmente fazer o controle das pragas, que são o capim duro e o barba de paca, que você não tem um herbicida seletivo”. Capim duro (Paspalum virgatum) é considerado a principal gramínea que invade pastagens na Amazônia – o gado costuma não se alimentar direito quando há esse capim no pasto; com isso, não ganha peso como poderia, o que ocasiona prejuízo para o produtor.

Parcerias – Assim como a Fazenda Araguaiana tem experimentado benefícios com a ILP, outras propriedades no Tocantins vêm tendo êxito com a implantação de alguma das possibilidades da integração lavoura-pecuária-floresta. Juntamente com a Embrapa na condução das cerca de 30 URTs dentro do Plano ABC no estado, que trabalha incentivando uma agricultura que gere baixa emissão de carbono, há diferentes parceiros. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins), órgão oficial de assistência técnica e extensão rural no estado, e o Sebrae são alguns desses parceiros.

O diretor superintendente do Sebrae no Tocantins, Omar Hennemann, contextualiza a relação da instituição com a Embrapa. Segundo ele, “a missão do Sebrae é auxiliar o desenvolvimento dos pequenos negócios, independentemente dele estar na cidade, num assentamento rural, numa outra propriedade rural, num quilombo ou numa área indígena. Negócio é negócio. Isto colocado em prática, nós buscamos parcerias com as maiores chances de darem certo as nossas ações. E uma parceria de resultado, que sempre dá certo, é com a Embrapa. Pela sua experiência, pela sua reconhecida capacidade técnica. As melhores cabeças do desenvolvimento do agronegócio estão dentro da Embrapa. Ali estão as cabeças que pensam tecnologias, inovação e assim por diante”.

A experiência do produtor Luciano, de Araguatins, foi compartilhada durante dia de campo no último dia 10 de junho. Pela Embrapa, participaram Cláudio Barbosa e Pedro Alcântara, ambos com atuação na área de transferência de tecnologia. Cláudio é quem orienta as ações na Fazenda Araguaiana, que são colocadas em prática em conjunto com Joaquim, consultor do Sebrae, e o próprio Luciano, um dos proprietários. O evento foi uma ação da Rede de Fomento em ILPF, formada pelas empresas Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Dow AgroSciences, John Deere, Parker e Syngenta e executada pela Embrapa e por parceiros.

Clenio Araujo (6279/MG) 

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